quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Crônicas de dois Amigos

Cara, tu é monotóno. Monótono? como assim? É você é assim, sabe, você nunca me surpreendeu. Então eu sou monótono? É. Mas eu sou engraçado, tu ta sempre rindo, como posso ser monótono? Isso não conta, tua cara é engraçada, tu tem esse rosto de babaca, a pessoa chega e jah espera que você seja engraçado. Então a minha vida sem tragedia e infelicidade me faz uma pessoa monóna? tu só quer encher o saco. Não cara é serio! Mas do que você ta falando tu ja me viu chorando, tava engraçado? meu rosto inchado coberto de lagrimas? Olha teu rosto não tava, mas eu ja sabia que tua namorada te traiu com dois caras e um cachorro, e isso tem alguma graça. Caralho, muleque, esse foi o evento mais tragico da minha vida, não teve nem um fio de graça. Mesmo assim, qualquer um choraria, continua não sendo surpreendente. Hmm... boo! Porra, serio? é isso que você vai fazer? eu to comentando, não precisa se concertar. As vezes é uma coisa boa, simbolo de nossa amizade, a gente se conhece a tanto tempo que eu não te surpreendo mais. Ontem eu transei com a sua ex-namorada. Filho da puta! É mentira, mas você acredita que isso aconteceria, não acredita? sabe porque? por que eu não sou monótono. E não é simbolo da nossa amizade porra nenhuma, só percebi isso porque alguem que não te conhece tão bem me trouxe a luz. A minha mãe não deve me achar monótono. Mas tambem num é sua mãe que você quer que chupe o teu pau, ou pra quem você quer contar quem chupou teu pau. A tua mãe chupou meu pau! Não cara. Porra, viu o que tu fez, agora nem mais engraçado eu concigo ser. Isso é surpreendente. Brigado.

Tem comida lá? Não cara, ta pensando que isso é um casamento? Não mas po, gente triste gosta de comer num gosta? tu num ve na televisão as americanas gordinhas comendo sorvete quando terminam com o namorado, podia ter um sorvete la. Ta falando serio? esse negocio não é final de namoro, é final de vida, é estática respiratória, é um garoto que nunca mais vai bater punheta, nunca mais vai jogar futebol com a gente! Bah, o que isso tem ha ver com comida? Se você ta com tanta fome porque não comeu em casa antes de sair? Comi pra caralho! putz, sobro macarronada que minha mãe fez ontem, comi dois pratos cheios meia hora atras. Se tu comeu que nem um elefante como é que você ta pensando em tomar picolé do lado do talinho? Po, comida de graça é comida de graça né cara? e eu não comi sobremesa. Foda que tu nem é gordo, se fosse nem ligava, fodasse se tu é escroto, pelo menos é gordo, mas não, é magro que nem um esqueleto. Hehe, muito apropriado. Vai se fuder cara.
Opa é aqui. Tem gente saindo, olha o clima, todo mundo chorando, de preto, de luto, e tu aí pensando em comida. Aquela gordinha ali ta mastigando chiclete ó. Parabens então, porque você não vai la chegar nela, quem sabe vocês se casam. Pff to fora, parece um leitãosinho, deve fazer oinc-oinc na cama. Caralho cara, só agora que vi sua ropa, que porra é essa, camisa laranja e bermuda amarela? não vo nem diser que é feio mas, caralho, parece até que ta comemorando alguma coisa, não dava pra parecer mais feliz não? Porque eu não taria feliz? Não falo mais com você, fica aí e entra daquia a dez minutos, não quero você chegando comigo.
Porra, não sabe nem contar minutos no reolgio. A gorda tava olhando pra mim, achei melhor fugir. Então porque você não foge daqui? ta todo mundo olhando pra você do mesmo jeito. Ah cara ta bom, para de falar na ropa vai, foi idiota, admito. É. Caralho o cara ta morto né cara? Esperava o que? alguem jogando pingue-pongue? Não, mas sei la. Sexta feira ele tava jogando pingue-pongue.

Vamos ver? Vamos, mas po, eu quero sentar nessa cadeira. Por que?O.o Porque ela é melhor. Você acabou de sentar nela, acabou de ver um filme inteiro sentado nela, porque eu não posso sentar nela. Porque essa otra é pior. Sim, é pior, mas você não sento nela ainda, não hoje pelo menos. Nem você. Mas eu tambem não sentei na melhor. Não faz sentido, você pode ficar aí porque eu ja sentei aí, mas ninguem sento aqui ainda, e porque teria de ser eu. Me diz uma coisa, quando eu cheguei aqui, e você tava terminando de ver seu filme nano-homoerotico... O Frodo e o Sam não são gays. São sim, foda-se, mas onde você estava sentado? Aí onde você esta sentado agora, você me viu sentado, não tem porque estar perguntando isso. Mas se você acabou de ver um filme inteiro sentado aí na cadeira boa porque não seria minha vez? Você não ta entendendo nada, a questão não é que esta cadeira é boa, é esssa aqui que é uma bosta, e por acaso só tem duas, entende onde isso deixa a gente? Não, só entendo o que eu ja lhe expliquei e que você esta sendo egoista. Egoista nada cara. Tem uma cadeira aqui que é um coco sobre 4 rodas e você ta se achando no direito de não sentar nela só porque acabo de chegar, eu não sou egoista você que é abusado. Que coco sobre 4 rodas cara, é a mesma merda, ela só não reclina. Só não reclina? Meu avô morreu com problema de coluna porque na epoca dele não exisitam cadeiras que "só reclinavam"! Pra que ficar trazendo avô morto pra história e fazendo escandalo? Você que esta querendo menosprezar a diferença das cadeiras, ta querendo embelezar a merda da cadeira que você num quer sentar. Meu tio teve um tumor no cerebro, posso sentar aqui? O que que o cerebro tem há ver com as costas? Sei la, você que veio falar do seu avô. Cara, assim num vai dar tempo de ver o filme, vo te explicar, essa cadeira é ruim e ninguem sento nela ainda, então ninguem tem que sentar nela por obrigação, deveria se escolher alguem aleatoriamente para se sentar nela, o importante aqui é isso, depois obviamente quem não sentar na cadeira ruim ficará aí onde você está. ...na cadeira boa. Já disse que não é essa cadeira que é boa, é a outra que é uma merda. Caralho que saco você, ta bom, cara ou coroa? Cara, não, coroa, vai dar coroa, tenho certeza. Deu cara. Então senta aí. Ué porque? Porque eu ganhei e você perdeu então você fica na cadeira de bosta. Mas deu cara, e você escolheu cara. É, eu ganhei. Não, você foi o sorteado, sorteado a ficar na cadeira ruim. Claro que não, se fosse assim porque você teria escolhido coroa se você pensasse que era isso que ia sair? Porque desque você chegou aqui to com um puta azar e nesses dias eu sempre vou contra meus instintos. Você só sabe inventar, daqui eu não saiu. Foda-se então, vamo no bar encher a cara mesmo. Vamos. Quem ia querer ver um filme sobre dois balconistas.

O Corredor

Havia um pequeno menino em pé em um corredor escuro, imóvel. As sombras se espalhavam pelo corredor de forma que pareciam ser absorvidas pelos olhos do menino, dos olhos entravam em sua cabeça. Olhando pra frente onde deveria estar o corredor de sua casa onde morou ha anos estava um buraco negro que o menino nunca imaginou que pudesse estar ali. Lentamente o menino pôs um pé à frente. Na sua cabeça sua ação parecia errado mas seu corpo sentia que era certa. Como se o passo estivesse ali o tempo todo esperando para ser andado. O medo e a insegurança não foram embora, no pequeno passo que ele deu a frente, havia encolhido. Estava praticamente um centímetro mais baixo. Mas isso não o impediu. Seguiu o passo com outros passos, superando o medo por algo que seu corpo parecia querer fazer involuntariamente. Para seu desespero seu tamanho continuava a diminuir. Não demorou que sua roupa ficasse larga nele. Apavorado, continuou seguindo pelo caminho escuro. Quando chegou à porta já estava a quase metade de seu tamanho. Sua bermuda havia caído ao chão e sua camisa se segurava por apenas um ombro. As batidas aceleradas de seu coração ecoavam das paredes invisíveis. Na mesma fluidez e insegurança que havia dado os passos ele levantou o braço e girou a maçaneta. Antes mesmo que ele pudesse empurra-la a porta se escancarou com vida e uma luz branca ofuscante iluminou todo o corredor cegando temporariamente o menino. Quando ele voltou a ver não estava mais no corredor escuro, estava numa cama com lençóis brancos. Ao seu lado uma mulher acendia um cigarro. O menino não era mais um menino, era um homem.

O Homem com o Caderno Debaixo do Braço

Com o caderno de baixo do braço ele andava calmamente pela rua para um lugar onde poucos vão e muitos ficam. Uma pequena praça no centro da cidade. Abandonada. De noite o lugar era dominado por sombras. Todos os postes estavam com as lâmpadas estouradas, transformando o lugar em um ótimo esconderijo para os que querem se esconder do resto da cidade.
Sentado em um banco parcialmente quebrado localizado no centro da praça. Chega cedo enquanto tudo estava calmo. Antes dos raios do sol salvarem a praça da escuridão total. Com um olhar vazio privado de objetivo ele tira dos bolsos uma laranja, um ovo cozido e um canivete. Lentamente ele descasca a laranja e a come seguida pelo ovo. Seu olhar continua vazio.
Quieto em seu banco. O Banco em que ele se senta toda manha. O homem observa tudo que acontece. Os mendigos saem de baixo de seus carrinhos e os empurram para a rua. Meninos pulam de um lado pro outro a brincam em conjunto. Nenhum deles possui família. Eles se reúnem em rodas dividem drogas e ficam deitados no chão olhando para o céu. Passam dois homens conversando. Um deles possui o rosto coberto de feridas. O outro está contando que na noite anterior conseguiu roubar cinco carteiras.
Todos ignoravam o homem, sabiam que ele estava lá toda manha. Ele abriu seu caderno e começou a desenhar. Um trecho do chão da praça. Um pequeno caminho de terra com grama nascendo dos lados. Não desenhou as crianças que estavam por ali. Só a terra, a grama e alguns galhos e folhas que estavam espalhados pelo chão. Sua técnica era boa e seus desenhos realistas, mas não possuía nenhum talento artístico real. Às oito ele se levantou de seu banco ao trabalho. E isso acontecia quase todos os dias nos últimos sete anos de sua vida.

Gilson chegou do trabalho na mesma hora de sempre. Sua mulher estava deitada no sofá assistindo à novela. Ele ficou em pé por um tempo. Assistiu a um pequeno trecho da novela. Era uma cena de romance. Sua mulher permanecia deitada ocupando o sofá inteiro sem deixar lugar para o marido se sentar. Continuou de pé até o final da cena. Quando começou os comercias, se dirigiu à cozinha. Ele bebe um copo d'água e fica sentado sozinho na cozinha por um tempo. Pensa em seu casamento, no que ele se tornou.
Há sete anos sua relação era sistemática: todo dia quando chegavam em casa contavam seu dia um ao outro, jantavam juntos, em silencio, viam um pouco de televisão e dormiam. Nas noites em que exibia uma cena de amor na novela eles transavam antes de dormir. Transavam em silencio, sistematicamente, como o resto do relacionamento.
Há um mês atrás isso mudou. Gilson chegou do trabalho para uma casa vazia. Ele seguiu sua rotina. Pensou em seu dia. Jantou sozinho em silencio (lógico). Assistiu a um pequeno trecho do jornal e se deitou sem se preocupar com sua mulher, que já devia ter chegado a mais de três horas. Ele dormiu rápido.
Mônica chegou em casa tarde. Já se passava de meia noite. Ela foi direto pra cama e se deitou com seu marido. O abraçou de forma calorosa e gentil. De forma que não fazia há anos. O acordou, e deu um beijo em sua bochecha. Quando ele abriu os olhos mostrando que estava acordado ela deu-lhe outro beijo, desta vez nos lábios. Seus olhos voltaram a se fechar. Não era um beijo simples, sistemático. Era um beijo quente, como o de um casal de namorados. Os dois fizeram amor, um amor quente, amoroso, cheio de carinho e caricias. Depois ela se deitou de costas para o seu marido, e chorou em silencio até dormir. Gilson não entendeu o que tinha acontecido, mas novamente dormiu rápido e com um sorriso no rosto, ignorante ao choro silencioso de sua mulher.
Foi só na manha seguinte enquanto comia seu ovo que percebeu o que havia acontecido. Se lembrou que sua mulher havia posto perfume antes de ir trabalhar, e por mais que estranhasse o fato, foi só na praça que compreendeu os eventos da noite anterior. Havia chegado a conclusão de que sua mulher havia transado com alguém do trabalho. Comeu sua laranja. Abriu o caderno e pegou seu lápis. Começou a desenhar. Fez um esboço de toda a praça onde estava. Depois sobre o esboço desenhou todos que ali estavam. Não os desenhou como estavam, mas como se estivessem todos mortos com seus cadáveres apodrecendo. Espalhou cachorros, corvos e urubus pela praça, devorando os restos dos corpos. No centro da praça onde devia estar seu banco quebrado desenhou uma grande forca. Pendurado nela pôs a si mesmo. Depois reforçou todos os traços e fixou o fundo da praça que ainda estava esboçado. Fechou seu caderno e foi trabalhar com o ovo ainda no bolso.
De noite, quando chegou sua casa estava vazia novamente. Sentou no sofá e ficou esperando sua esposa. Ficou três horas parado. Olhando para seu reflexo na televisão desligada. A porta se abriu. A mulher estranhou o marido acordado sentado no sofá. Ele agarrou a esposa com força. Levou-a até o quarto. Jogou-a na cama. Deu um tapa no rosto da mulher. Arrancou a roupa dos dois. A mulher em silencio, sem se debater muito, apenas evitava olhar pro marido. Começou como algo semelhante a um estupro. Mas logo a mulher envolvida pela fúria do marido começou a gritar. Seus corpos se fundiam num momento de pura luxuria. Fuderam de forma louca e intensa. Os dois dormiram abraçados um ao outro.
Gilson acorda no meio da noite. Olha para seu relógio e vê que ainda falta muito para a hora de sair. Mesmo assim ele vai até a cozinha. Estava com fome. Mônica acorda com o barulho da porta da cozinha. Se levanta. Segue o marido até a cozinha. Os dois se sentam um ao lado do outro e conversam pequenas inutilidades da vida.
A partir deste dia sempre que Mônica chegava em casa tarde os dois fudiam loucamente.

Gilson acorda em sua cama vazia. No caminho para a cozinha, repara que a televisão esta ligada. Sua esposa está deitada no sofá. Seu rosto mostra que ela não dormiu nada. Ele dá bom dia. Ela não reage. Ele toma um café em silencio. Volta para o seu quarto. Se arruma. Pega seu ovo e a laranja e sai de casa deixando seu caderno de desenhos aberto no desenho dele enforcado no meio da praça.
A ultima vez em que Mônica havia chegado em casa tarde ela não havia gritado de prazer, ela chorou até o amanhecer, Gilson, tomado pelo prazer e pelo tesão, não reparou até gozar. Quando perguntou o que houve ela o empurrou de cima dela e foi se deitar no sofá. O homem sentou-se na beira da cama sentindo raiva consigo mesmo por não ter percebido o estado em que a mulher estava. Mas não havia como ter reparado, no momento em que ela abriu a porta ele estava preparado para o bote e selvagemmente levou-a para o quarto e possuiu-a antes que pudesse oferecer qualquer reação. Ela simplesmente deitou e chorou.
Quando parou pra pensar no porque do estado da mulher a resposta veio rápida. O amante havia terminado o caso. Envergonhado pela forma como havia tratado sua esposa o homem dormiu sozinho no quarto e não falou mais com a mulher. De qualquer forma, qualquer tentativa seria respondida com silencio.

Gilson sentou em seu banco, em sua praça como fazia em qualquer outro dia, comeu seu ovo e sua laranja. O movimento na praça crescia e enquanto os mendigos saíam alguns percebiam que o homem estava sem seu caderno. Nenhum deles ousariam dizer nada. Permaneceu sentado ali pelo resto da manha. Por toda a tarde. Certo tempo depois de escurecer deitou-se no banco. Ele nunca mais voltou para casa.

Mônica não passou 24 horas vendo televisão como o marido havia pensado. Mas era o mais perto disso possível, só se levantou para ir ao banheiro e uma vez pra comer uma fatia de pão com manteiga.
Mônica olhou para a janela e percebeu que havia amanhecido. Percebeu algo estranho. Seu marido não havia voltado. Se levantou e foi para o quarto. Lá em cima da cama viu o caderno do marido. Olhou ao desenho e quando percebeu que no centro estava seu marido enforcado. A primeira idéia que veio a sua cabeça era que seu marido havia se matado. Explodiu em lagrimas. Abraçou o caderno. Quando o afastou a única coisa que não estava borrada pelas lagrimas era o rosto de seu esposo. Essa coincidência ela viu como um sinal.
O caso dela havia salvado o seu casamento, de uma forma que nem ela conseguia compreender e a depressão dela fizera com que o marido se matasse. Andou calmamente até a o banheiro e socou o espelho que se partiu em dezenas de pedaços, um caco grande havia caído dentro da pia. Através dela a mulher observava um lagrima que percorria por sua face. Quando a lagrima finalmente pingou de seu queixo a mulher pôs a ponta do espelho contra seu pulso e abriu suas veias. O sangue saía rapidamente. Logo a mulher parou de respirar.

Gilson não mendigou para sobreviver fora de casa simplesmente continuou deitado em seu banco, de olhos fechados, quando quase uma semana depois finalmente tiraram-no de lá, ele já não se mexia mais.

Lobos

É natural que meninos brinquem, tão natural quanto eles sentirem medo, mas há alguns que brincam de sentir medo.
Um deles em particular produzia seu próprio medo regularmente. Todo dia antes de seus pais chegarem em casa ele se encolhia nos cantos escuros da casa e imaginava os terrores que poderiam sair do escuro para ataca-lo.
A principio os pais não se preocupavam muito com a brincadeira, até que cansado de sua própria imaginação o menino resolveu subir o nível da brincadeira e se enfiar em situações perigosas. Ficou uma hora se pendurando da janela de seu quarto por apenas um braço, até que seus pais vieram salva-lo.
Fizeram o que qualquer pai normal faria, deixaram o menino de castigo por um mês. Trancado em seu quarto o menino foi forçado a se entreter com outras coisas e por quase um ano ele agiu como uma criança normal, até que sua escola fez um passeio ao zoológico.
Foi quando ele chegou na jaula dos lobos, que ele deixou de agir como uma criança normal novamente. Olhou fascinado enquanto eles brigavam um com o outro pelo pedaço de carne na mão do alimentador do zoológico. Os dentes e os barulhos que os lobos faziam encantavam o menino, ele permaneceu ali pelo resto do passeio. Talvez, para seu próprio bem, o menino nunca chegou a ver a jaula dos leões.
Na hora em que o grupo da escola estava se reunindo para ir embora, o menino estava ocupado demais escalando a grade que separava os visitantes dos lobos. Ninguém percebeu o que fazia, já estava na hora do zoológico fechar e, para a maioria das pessoas, os lobos não passavam de cachorros grandes e de animais que só dão medo em contos de fadas.
O cheiro do menino foi percebido no momento em que ele tocou na grade. Eles sabiam o que ele ia fazer, e se prepararam. Enquanto ele estava descendo pelo lado de dentro da grade, um dos lobos pulou contra a grade. No que ela balançou, o menino caiu no chão de uma altura de quase três metros, seu braço estava quebrado. Mas antes que ele sentisse a dor, seu braço já estava na boca de um dos animais. E, logo, o resto do bando atacou junto, foi rápido demais. Antes de entender o que estava acontecendo, o menino já estava desacordado. Ele não teve nem tempo para sentir medo.
Os funcionários do zoológico nunca teriam esperado essa reação dos animais, nunca ouve um caso de ataque anterior a esse, todos os lobos foram mortos a pedido direto do prefeito da cidade - a jaula foi desativada por tempo indeterminado.
Por sorte, ou muito azar, o menino sobreviveu. Ele perdeu a maior parte de suas duas pernas, e o braço que restava, provavelmente, teria de ser amputado, pois a maior parte dos músculos e tendões tinham sido devorados. Seus órgãos internos estavam estraçalhados, os médicos disseram que foi um milagre que ele tenha ficado com exatamente o mínimo necessário para que pudesse permanecer vivo. Seu rosto estava dilacerado.
Quando acordou, o menino não falava mais, ele apenas olhava fixamente para frente enquanto seus olhos tremiam em suas órbitas. Em sua mente, ele via os lobos brincando na sua frente, como que zombando dele, ele estava petrificado de medo. Em todos os sentidos, podia ser considerado um vegetal, mas estava consciente e aterrorizado, ele viveria o resto da vida sentindo o medo que não pode sentir no momento em que caiu.Todos lamentavam o que aconteceu com o menino e os pais choravam sobre o acontecido toda vez que cuidavam, dele.
Um ano e dois meses depois do acidente, o menino morreu. Neste tempo ele só dormia quando era sedado. Os pais, os funcionários do zoológico, a professora, o diretor do zoológico, todos assumiam a culpa da morte do garoto. Enquanto deitava imóvel na cama era impossível distinguir a expressão facial do menino por causa das cicatrizes. Ninguém nunca soube que ele estava sorrindo, que o medo era seu êxtase e que apesar de tudo, ele morreu feliz.

Leôncio e Corriqueiro

Nunca lhe foi dado tal mérito. Não a ele. Onde já se viu? Não fazia nada só zumbizava pela casa obedecendo às ordens da mãe. Realmente ninguém iria imaginar que justo ele seria escolhido. Muito menos que ele se candidataria para tal ato. Para a mãe foi mais do que um susto.
Ele trazia a gaiola de queixo erguido para casa. Ela estava coberta por um pano preto foi direto até seu quarto passando pela mãe como se não existisse, algo normal. Chegou, tirou o pano e ficou olhando para a pequena criatura cinza que corria de um lado para o outro. Leôncio não lhe tirava o olho. Lentamente ele abriu a gaiola temia que talvez o bicho fugisse, mas sua curiosidade foi maior.
Corriqueiro era um hamster como muitos outros. Adorava ficar sozinho em sua gaiola correndo em sua rodinha e enchendo a pança. Era pequeno, cinza e tinha olhinhos negros puxados. A turma concordou no nome devido à personalidade movimentada do roedor que não parava quieto. Todo final de semana alguém teria de leva-lo para casa, pois caso fosse deixado na escola certamente morreria por falta de cuidado.
Saindo da gaiola o pequeno animal olhava espantado para os lados. Nunca pode ficar livre. A professora era muito responsável e só quando um menino sugeriu soltá-lo no chão ela já deu uma palestra sobre as milhares de desgraças que poderiam vir a acontecer. Temendo outro discurso, as crianças não tentaram novamente. Pondo os pés fora da gaiola o pequeno animal correu pelo quarto todo numa velocidade surpreendente, tão surpreendente que Leôncio caiu pra trás num susto, nunca imaginara que ele seria ainda mais agitado fora da gaiola.
Todo dia no colégio de longe o menino observava Corriqueiro, ele o via na gaiola, solitário, auto suficiente, e o admirava, via no pequeno um reflexo de si mesmo. Sem amigos ele passava os recreios sentado em sua mesa comendo o seu lanche e olhando com o canto do olho para a gaiola. Sem nunca se aproximar, tinha medo de que outras crianças fossem rir dele se ele brincasse e machucasse o hamster. Por nunca terem sido visto juntos foi um susto para todos quando ele deu seu nome para por no sorteio. E quando seu nome foi tirado da caixa a professora pronunciou-o com um certo contra gosto.
Em casa a vida do menino diferenciava-se da de outros meninos, não pulava, não corria. Todas suas ações eram resultado de um pedido da mãe, sem que ela o pedisse não comia, não dormia, não tomava banho nem fazia os deveres de casa. Os tios e os avos estranhavam, reclamavam sempre com a mãe que o garoto mais parecia um zumbi. Mas ela gostava dele assim, ela se sentia muito sozinha desde a morte do marido. E em Leôncio via uma nova companhia para passar tempo com ela e ajuda-la na casa.
Via Corriqueiro correndo de um lado pro outro do quarto, quando o susto principal passou um sorriso abriu em seu rosto. Ele levantou e abriu a porta e deixou o pequeno andando pela casa sempre de olho no que ele fazia. Toda esquina ele estava logo atrás. Mas o rato era rápido de mais, logo ele não pode mais acompanhar, gritava o nome do rato pedindo para voltar, gritava que ele não estava acompanhando, como se estivesse com um bom amigo. Mas quando o animal não parava um medo passava por si. Ele sentiu tudo saindo de seu controle ele corria histericamente atrás do animal. Mas nada o fazia parar.
A primeira memória de Leôncio foi quando uma vez seu avô o perguntou:
-Leôncio, meu neto, quem você ama?
Sem entender a criança respondeu.
-Ama?
-Quando você ama alguém é porque aquela pessoa é pra você a mais importante, com a qual você não vive sem.
-Eu amo sorvete.
Ele adorava sorvete, só comia na casa da tia que sempre o empanturrava de sorvete de baunilha, mas o avô indignado retrucou:
-Como é possível você amar sorvete meu neto, sorvete é uma coisa morta e sem vida, como você pode dizer que não pode viver sem algo que você enfia na boca barbariamente?
Para a criança foi um trauma, o avô proibiu a tia de lhe dar sorvete. Mas em casa ele passou a sempre fazer um escândalo, na verdade era a única coisa pela qual ele já se importou, fez com que na casa nunca faltasse sorvete de baunilha para ele, ele passou a associar o amor, a necessidade de algo, com o sorvete que ele comia como uma fera.
Ele correia atrás do animal sentindo nele uma necessidade de vida, agora que o tinha nunca podia ser afastado.
Sua velocidade cresceu. Via o rato. Estava lá a sua frente. Cada vez mais amor e sorvete lhe vem à cabeça, necessidade. Ele vê o rato, num salto se joga no chão e o agarra. Amor. Sorvete. Necessidade. Solidão. O menino enfia a criatura na boca e com euforia mastiga-o e o engole logo em seguida.
Ele ouve sua mãe chamá-lo. Escorre sangue pela sua boca. Ele limpa coma a blusa e vai servir a mãe.

Mathew (ingles)

He was walking down the street. It was near noone. But in spite of that the road was dark. The sky contained a heavy gray that plaged Mathew on this sonday evening. He walked randomly. his thoughts tormented by people he knew, but wish he didn't. It was calm that day. He walked alone, As he so often did. He could spot his house in th distance. It brought him confort. He acelerated his pace.
The brown autum leaves covered his porch. Mindlesly he kicked the leaves as he walked. Looking to the sky. Wondering what harsh fate would come to him in the folowing day.
In his distraction he failed to notice that under teh leaves was a liquide. Blood. He tried to push the door open. But to his suprise. It wasn't loked. In fact. The door knob had ben smashed off. He thought of turning and runing in the other direction. But as curiosty killed the cat, Mathew had no other impulse but to step forward.
Behind the door, shokingly he found his dog. Liking the blood. The blood came from up the stairs. From where he was he could not see past them nor from where the blood was coming. Motionless, he stood. until he heard his dog barking at him. He steped forward to comfort the dog. but it ran. And mathew realized his deadly mistake is was not at him that the dog barked but at someone behind him. He didn't move. He couldn't move. He could see a dark shadow projected in the wall in front of him. He observed as the shadows hand went up, and down against his back. He felt no pain. All thought he could feel the knife perfurating his sking cuting through his muscles. He could barely see the knife in his mind, but he felt no pain. down to the ground he wen't.
Intrigued his ataker observed the inocent boy lying on the ground. As he noticed that the boy wasn't moving. he stoped striking his back, and wen't down on his knees. The knife was as sharp as a (Sorry but whats the name of those litle knives surgeons use?). He cut the skin in mathews head in a vertical line from the base of his neck to the top of his head. The man pealed off the skin from the back of mathews head. Now Mathew had a diferent reaction. He screamed. He screamed a strong and profound scream. Franticly he pushed himself away from his ataker. He managed to get to his feet, and run too the stairs, he ran up, but at the last step he stoped once again he saw. lying on the ground. his mothers bodie. Nude (how do you spell naked?) facing the ground. he tried to back away but fell down the stairs.
Each step, broke a bone of his. But in his agony he didnt scream. He roled down. Reaching the base of the stairs he couldnt move, his lower back was broken and he had his nose touching his hip. The man slowly walked toward him. Lifted up his head, and made a incision on the side of his jaw folowing up to the base of the ear. He repeted the same on the other side. Now he grabed Mathew's head by the lower jaw. And in a suden pull, riped it away from the rest of his head wich swinged back as if a ruber-band had snaped and sent it back towards the wall. His eyes were closed, as was his life he ceased to breath and lied motionless.

Nada

Ando na rua e as pessoas não me vêem. Nunca fui de chamar atenção. Sempre me visto de forma discreta. Não sou de causar brigas. Sempre reservado. Costumo escolher rapidamente meu prato em restaurantes. Caso venha a precisar chamar o garçom, me levanto e vou falar com ele para não ter de ficar gritando. Meu caso tem se agravado, as pessoas tem se esbarrado em mim na rua, não me percebem.
No trabalho, meu chefe me chamou a sua sala. Cheguei lá e fiquei parado em frente à sua mesa. Esperando. Ele não me viu, foi embora da sala. Não percebeu quando cheguei, nem quando foi embora. Meus amigos passam direto por mim na rua.
Fui demitido, descobri. Foi por isso que meu chefe me chamou em sua sala. Achei um recado na secretária quando cheguei em casa.
Acordei e não me vi no espelho. Não estava lá. Fiquei imóvel, olhando o reflexo do banheiro vazio. Tive de sair, estava ficando nervoso. Agora estou na rua.
Tive de sair pela garagem, o porteiro não me abriu a porta. Caminho. Sem ter para onde ir. Atravesso a rua. Ônibus. O motorista não me vê.

O Cachorro que Mudou de Cor

Pobres, sujos, negros, asiáticos, nojentos! Eu odeio essa raça! "Me dá uma esmola, senhor?" dá vontade é de fazer eles beijarem a sola do meu sapato! Abomináveis! Eu sou Adolph Börghn Harowsberghr, e odeio mendigos. Sou louro, alto, tenho olhos azuis, um Jaguar 72 , uma Ferrari 550 e, é claro, uma mansão na Barra . Sabe o Citta América? Então, eu o comprei e construí uma casa. Gosto daqui porque nada é perto de casa, então não preciso andar e ter que ficar vendo aquelas pessoas que não tomam banho há mais de um ano.
No ano passado, um destes trecos, uma destas criaturas asquerosas, entrou na minha casa. Aqueles pés imundos e fétidos na minha grama. A COISA estava com fome, queria comida. Pulou o muro mas pouco tempo depois Joseph, Oswald e Cindy, meus cães de guarda mais fiéis, atacaram-no e estraçalharam-no, posso até pra imaginar eles rasgando a carne daquela COISA. Eu só descobri na manhã seguinte, com a alegria e a tristeza de ver que aquilo entrou na minha propriedade e morreu aqui, no meu jardim.
O jardineiro achou as sobras a 200 metros da casa. Eu o demiti quando descobri que ia ligar pra polícia e mandar os cães pro canil.Eu deixei o corpo lá, se é que aquilo é um corpo, aquilo é uma COISA, não merece nem respeito de uma funerária. Nem eu, nem qualquer um dos meus funcionários iriam tocar naquele corpo.
O esqueleto ainda esta lá. De vez em quando gosto de olhar pra ele, e apreciar a obra de meus "filhos". Dei uma coleira de ouro pra cada um e comprei uns gatos pra eles brincarem.
Eu não entendo essa gente... escolhem morar na rua, escolhem serem assim, pra depois roubar dos que são espertos, dos que não foram morar na rua.
Hoje meu principal acionista veio me visitar. Disse que tinha más noticias. Nem me preocupei, pois aquele imbecil sempre exagera. E nunca vai direto ao assunto:
-Senhor? Lembra de semana passada, quando você pediu pra eu botar todo seu dinheiro nas ações daquela estação da Petrobrás? E lembra que ontem aquela estação explodiu? Aquela estação era sua, senhor perdeu todo o seu dinheiro e ainda deve milhões.
-Não sobrou nada?- Histericamente perguntei.
O filho da puta, imbecil, retardado, acionista de merda, então respondeu:
-Só o valor da propriedade. Mas, depois de retirar deste valor o montante dos impostos e de sua divida sobra, só uns 300 mil.Quase nada para alguém da sua estatura. O senhor vai perder tudo.
-O que? Eu, Adolph Börghn Harowsberghr, na rua? Isto é um absurdo!
-Já sei! Minha carteira, tenho dinheiro lá.
Quando peguei a carteira notei de cara que não tinha muito, só 2 mil. Mas dava pra se restabelecer. Uma casa no Leblon, só duas televisões e só uma empregada.
-Amanhã eu vendo esta casa e do os cachorros pro Roberto Marinho.
- Por acaso o senhor acha que alguém tem dinheiro pra comprar esta casa? Se quiser vender tudo bem mas só vão sobrar 300 mil, como eu te disse.
- Só 300 mil? Com isso eu nem limpo a bunda.
- Fazer o que, né?
- E se eu vender parcelado?
- Aí o senhor vai ter que pedir parcelas muito pequenas e não vai conseguir o dinheiro que você precisa, no tempo necessário.
- Mas depois que eu usar esta sobra de 300tinhos, eu não terei mais como ganhar uma grana.
- Sei lá, porra como é que eu vou saber, vira gari, arranja qualquer emprego pequeno e depois de estabilizado cresce no mundo dos negócios de novo.
- O quê? Eu, Adolph Börghn Harowsberghr, de gari?! Eu vou é vender esta porra desta casa por 5 bilhões e ficar bilionário de novo.
-Não, calma, vende assim mesmo, pelo menos é alguma coisa.

-Parte dois-
Aqui estou eu em cima da cadeia alimentar. Estou aqui em cima e eles lá embaixo, pobres, sujos, negros, asiáticos... Eu sou melhor que eles. Recuperei-me depois do problema da estação. Tô no Leblon, cobertura, vista pro mar. Esta parte eu não gostei. Pra que vista pro mar? Ver um bando de pobre tomar banho? Eu raramente desço, só desço pra trabalhar. Fiquei dono de uma loja no Rio Sul, no Botafogo Praia Shopping e em Ipanema. Escrevi uma matéria pra uma revista sobre minha loja, ela ainda vai crescer bastante. O que mais gostei da matéria é que eu pude dizer ao mundo o que acho. O que eu acho dos pobres, sujos, negros, asiát...
Tem alguém na porta, é melhor eu atender.
-Seu filho da puta! No chão!
-Por favor... Meu dinheiro não está aqui. Tá no banco.
É obvio que isso é mentira, mas pobres são burros mesmo.
-Eu não quero dinheiro de um merdão que nem você , você vai sentir na pele. Você vai perder sua casa, a gente vai queimar essa merda! Aposto que aqui dentro tem muitos cartões de crédito, cartões de bancos. Você vai perder tudo, pode começar me dando o relógio.

-Parte Final-
Ricos, sujos, nojentos! Eu odeio essa raça! "Tô sem trocado." Dá vontade é de dar um murro bem no meio daquele sorriso branquinho! Abomináveis!
Eu odeio essa raça!

Solidão

No inicio, não tinha nada
com vc, tinha tudo
a noite vem o dia vai
e a escuridão invade meu coração
o que antes era cheio de alegria,
agora paresce mais um tumor
a dor cresce e a paixão não deasaparece
cada vez que vc esta em meus pensamentos,
o tumor explode e duplica de tamanho
como algo tão dificil para mim
pode ser tão facil para vc
no final acaba tudo como começou
não tenho nada

Merda

Merda, é só isso que me faltava. Eu odeio isso. Eu tô indo para uma reunião importante e piso na merda. Essas pessoas me enjoam. Eu tenho cachorro, e eu ando com ele na rua. Mas meu cachorro não caga no meio da rua não. Ta pensando no que? Ele vai no canteiro! As ruas são cheias de canteiros. Aquelas paradas com plantas nojentas. Pelo menos eu as torno úteis. Mais útil que isso, só cama de mendigo.
Agora, na reunião, todo mundo vai olhar pra minha cara. Vão sentir aquele cheiro de Merda e pensar que eu peidei. Tô ferrado. Já era. Agora ferrou vão me demitir, ou cê acha que esses canalhas vão deixar pessoas que peidam em reuniões com eles? Estes porcos só ligam pra aparências. Esses supostos ricos.
Eu acho engraçado. Eles dizem que são ricos. Mas na verdade eles casam com a francesa gorda. Mas moram com a loira favelada, que só tá com o cara pelo dinheiro. Isso não é vida. Não tem graça. Tu quer uma namorada. Tu oferece dinheiro pra ela, se ela não aceitar cê vai pra próxima e tenta de novo. Até alguma otária aceitar por que assim que ela quiser compromisso ou pedir muito dinheiro. O FDP larga ela e oferece dinheiro pra outra.
Merda estou atrasado. Odeio quando acontecem essas paradas. Eu me perco com meus pensamentos e fico parado no meio da rua, refletindo, pensando como isso vai afetar o resto da minha vida. Meu pé ainda tá na Merda. Ta vendo? eu me desligo completamente. Uma vez parei o transito porque, no meio da rua, olhei para o relógio e vi que eram 6.66 horas. Engraçada essa, não é? Meia, meia, meia, o número do diabo. Mas depois percebi que o relógio estava quebrado, pois não existe hora 666.
Merda. Agora já to falando do diabo. tá entendendo a situação? Tô aqui a meia hora parado com o pé na bosta.
Acho que esqueci de dizer meu nome, né? Foi mal. Mas é que quando eu começo, eu não paro mais. É isso que Jessica mais gosta em mim. Ela gosta quando eu começo pedir uma pizza de calabresa com cebola, e meia hora depois eu tô conversando sobre o Império Romano com o garçom. Império Romano, incrível como isso aconteceu, né? Os caras dominaram quase a Europa inteira. Graças a Julius Cesar. Ele foi um grande líder militar. Aaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhh! Só eu mesmo pra pisar na Merda e começa a falar de Julius Cesar.
Meu nome é Fernando. É melhor eu falar logo pra não esquecer depois. E agora eu tenho que ir pra uma reunião. Sou advogado, trabalho com crimes. Não gosto do que faço, mas Sou o melhor advogado do mundo. Todos sabem disso. Até os bandidos. Então eles me ameaçam, dizem que vão me matar, ou pior matar a Jessica se eu não salvá-los da prisão. Já tirei mais de 30 Merdinhas da prisão. O pior é que eles não pagam bem. Uma vez esse cara entrou num restaurante lotado e atirou em cinco pessoas, mais de cem testemunhas viram-no atirar. Ele saiu livre, e eu ganhei a habilidade de ainda poder respirar. Eu odeio isso. A Jessica acha engraçado. Minha sorte é que muitas vezes estes supostos ricos me usam na hora do divórcio, não querem perder sua "felicidade".
- Passa a grana, seu viado.
Agora tem alguém com uma arma apontada pra minha cabeça. Eu aposto que se ele for preso agora, eu que vou ser seu advogado.
- Não!
Que bom, eu nunca disse essa palavra assim antes. Não, Não, Não. Me enchi de confiança.
- Como é que é, seu Merda! Vai se ferrar! Morre!
Blam Blam
Finalmente estou livre do pensamento. Não vou mais pensar, vou morrer. Vai ficar tudo escuro, e minha mente vai acabar. Adeus.
Não acredito. Que Merda, o céu existe! Vou ficar aqui pensando por toda a eternidade.